Experiência do palhaSUS na IV mostra nacional de experiências em Atenção básica/Saúde da Família




E tudo começou com um convite. Na caixa de email do Aldenildo Costeira, nosso coordenador, “pai-palhaço” e orientador com as palavras: “É com satisfação que convidamos o palhaSUS para apresentar o espetáculo palhaçaria no SUS,  na IV mostra nacional de experiências em Atenção básica/Saúde da Família, que acontecerá nos dias 12 à 15 de março de 2014.” Com isso começamos os preparativos! Seleção dos palhaços, definição das reuniões, materiais necessários e muitas ideias. Assim, fomos montar nosso enredo e mostrar nossa história. Foram marcadas reuniões e ensaios, estávamos com tudo decorado e uma ansiedade imensa, afinal iríamos mostrar o palhaSUS pro Brasil!
Embarcamos, como esperado, e encontramos pessoas de todo o país. Pessoas com diferentes ideias, pensamentos e costumes, mas com o mesmo sonho: Melhorar o SUS!
Até o momento da chegada não imaginávamos como aquilo iria ser grande. Mais do que ver, fomos envoltos pelo universo da saúde pública brasileira. Se isso foi estimulante? Bem, posso afirmar que em poucos minutos conseguimos esquecer de todos os “esse SUS não presta, coisa pública não funciona!” e passamos a acreditar no que foi construído em todos esses anos pelo povo e por profissionais da saúde. Creio que passou por muitas cabeças a história dessa saúde e como com passos de tartaruga a população passou a ser peça chave da sua manutenção, até porque não há como traçar metas e estratégias para a melhoria da comunidade sem que ela esteja presente. Houve até brincadeira no hotel quando um senhor passou e a assistente social que estava conosco disse: “Arouca não morreu!”. Em um momento como esse, como poderiam esquecer dele ou do aniversário de vinte anos do PSF (atual ESF)? Sim, nossas cabeças estavam fervilhando.
Participamos de diversos momentos e partilhamos muitos sentimentos bons e enriquecedores. Iniciamos com a participação na abertura, e cantamos as músicas do palhaSUS:
“Eu tenho a cara pintada e o nariz vermelho eu fico animando o dia inteiro, eu vim aqui só pra te alegrar
Cantando, dançando e brincando você vem comigo, nessa melodia vem ca meu amigo, de coração deixa eu te cuidar
Vem vamos brincar, vem se animar, vamos dançar (bis)”
E a música:
O PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou pra brincar, pra alegrar e trazer muito amor (bis)
Se você tá dodói, se você tá tristinho, o PalhaSUS chegou pra pegar sua mão e fazer um carinho.
            Se você tá dengoso, se você tá ansioso, o PalhaSUS chegou, venha cá que eu te dou um abraço gostoso.
            O PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou pra brincar, pra alegrar e trazer muito amor (bis)
            Se você piolho, tem remela no olho, tem problema de gases, pelo amor de Deus, não coma repolho.
            Se você tem chulé, tá com bicho de pé, deixa isso pra lá, vem pra cá se animar com o palhaço Lelé.
            O PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou, o PalhaSUS chegou pra brincar, pra alegrar e trazer muito amor (bis).”

Tivemos a oportunidade de apreciar um lindo espetáculo Se essa Rua Fosse Minha de nossos conterrâneos da companhia de teatro arretados, ao qual podemos refletir sobre questões como: pedofilia, uso de drogas, trafico humano, casamento entre pessoas do mesmo sexo...
Ainda tivemos a grande honra de ver o lançamento de um documentário que mostra um pouco do trabalho de pessoas que acreditam em um SUS melhor, cuidado com carinho e muita arte, nele é demostrado o trabalho de Viviane Viva Voz que tivemos o prazer de conhecer, o pessoal de Aracaju que trabalha com música e cinema e nós do palhaSUS.
Também pudemos fazer nossa apresentação da “TV palhaSUS”, em que foi mostrado 3 cenas vivenciadas pelos extencionistas do projeto, no Hospital Universitátio Lauro Wanderley, Abrigo de idosos Vila Vicentina e Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira. No último citado foi feita uma correlação com a música “Balada Do Louco” de Os Mutantes demonstrando um pouco do que os pacientes relatam durante as visitas do palhaço.
 “Dizem que sou louco por pensar assim Se eu sou muito louco por eu ser feliz Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon Se eles são famosos, sou Napoleão Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor Não ser o normal Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar Se eles rezam muito, eu já estou no céu Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor Não ser o normal Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim, sou muito louco, não vou me curar Já não sou o único que encontrou a paz Mas louco é quem me diz E não é feliz, eu sou feliz.”
Durante a apresentação também pode ser feita uma reflexão do sistema de saúde vigente, através de uma paródia criada pelo grupo:
Música - Ôh tarôô
“E esse tal de PSF
Que inventaram por aí
Se sou de área descoberta
Que faço quando a chuva cair?

Também o NASF nessa história
Que veio pra apoiar
Se tiver muito pesado
Ainda pode desabar

Universalidade é um princípio
É o que todo mundo diz
Mas se tô sem o cartão do SUS
Minha vida tá por um triz

E você que tá chegando
Vamos juntos a pensar
Se não enxergarmos as falhas
 Não há como melhorar

A palhaçaria é ferramenta
De se aproximar
Do povo no território
 Do meio popular
Refletindo os problemas
 Assim o SUS vai melhorar

O PalhaSUS tá brincando
Não leve tão a sério não
Era tudo brincadeira
Mas é de coração”

O palhaSUS pode participar do cortejo da cenopoesia e ter a honra de conhecer o grupo “Cuca Fresca”, em que foi trocada experiência e nos foi ensinado a música:
 "Sai pra lá com essa camisa de força, que hoje eu quero é brincar, seu doutor. O que me prende é o sorriso da moça e o que me cura é o amor! Vem brincar comigo, não tem perigo, meu rapaz. Vem pra essa corrente, se libertar, viver em paz", e também a música:
"Eu quero folia, eu quero é foliar
Eu quero saúde e arte popular (bis)
Oh marinheiro, é hora, é hora de trabalhar (bis)
É o céu, é a terra, é o mar. Oh marinheiro, olha o balanço do mar (bis)".

A ida à Mostra Nacional foi uma experiência única, em que pudemos observar e perceber que existem inúmeros profissionais e usuários que lutam, cada um com sua história, com sua cultura, com suas ações e, principalmente, com a força de vontade de fazer o SUS dar certo. 
Foi absolutamente enriquecedor tudo o que vivenciamos! Desde os debates sobre saúde até as inúmeras fotografias (e olhe que foram muitas mesmo rs). Com certeza todos irão levar o melhor do evento para sua vida: os aprendizados, as reflexões, os projetos, as amizades e até os amores (risos)!
E foi assim que terminou uma nova jornada. Opa! Terminou não, começou! E trouxe uma gratificação enorme e o desejo de continuar e crescer, de permanecer tentando fazer o melhor para o sistema de saúde vigente.

Poder ver tantas pessoas buscando e realizando o que parecia um sonho, é de uma grandiosidade tamanha!
Que continuemos juntos na caminhada por um SUS melhor e mais humanizado!
A experiência foi tão grande que não há palavras pra descrever, e ainda ter conhecido pessoas maravilhosas, que estão nesta caminhada com você faz crescer ainda mais o amor por esse grupo e o desejo de continuar e fazer florescer o cuidado, afeto e o amor na saúde.
Inicialmente não havíamos entendido a dimensão que representava a IV Mostra de Saúde da Família. No começo estávamos, principalmente, com um espírito crítico ao Sistema Único de Saúde (SUS), devido a tantas experiências práticas negativas que já tivemos o desprazer de presenciar e vivenciar, porém, ao chegarmos lá e nos deparamos com a dimensão e imensidão que a Mostra se revelou, através de tantas pessoas únicas de lugares diferentes, mas com o mesmo pensamento e sentimento de buscar melhorias para a saúde pública do Brasil, nossas emoções floresceram.
Um turbilhão de sentimentos como alegria, satisfação, prazer, gratidão por estar ali participando e contribuindo para a realização de tudo aquilo preencheu nossos corações e nos envolveu. Foi muito gratificante cada momento vivido, cada nova amizade que fizemos cada contribuição que deixamos, enfim, cada experiência vivenciada que certamente trouxe um grande aporte para a nossa formação pessoal e também profissional!

Mariana Martins (Maroca)
Silmara Fernandes (Barbuleta)
Sarah Íris (Lolli Pop)
Raissa Mendonça (Farofinha)
Marla Katiely (Lalinha Emília)