E o prêmio de relato da semana vai para o nosso amado palhaço Xodó.

"Quando a gente se permite ser transformado, muitas (quase todas) experiências na vida nos acrescentam muito. Mas sempre há aquela que vai te reorientar na forma de enxergar o mundo e de vivê-lo. Mas o que a gente pode esperar se esta experiência transborda para sua construção do ser profissional/humano/cidadão/ estudante? Há exatos 3 anos eu dei a vez pra Xodó nascer, naquele momento não tinha muita noção do que ele seria, qual personalidade ele teria, quais impactos ele teria na minha vida e na minha formação. Xodó, hoje é um transbordar do que eu sou, é meu exagero e meu excesso. Não uso ele pra ser o que Félix Junior não consegue mas, ele é o melhor e o pior do Félix Jr, juntos e exposto por um nariz vermelho.

A amorosidade sempre esteve presente em minha vida, afinal, amar ao próximo é um princípio cristão que sigo desde que me entendo por gente. Mas a universidade nos deforma tanto, pega aquele ser que é humano e divide em pedaços, em tecidos, em órgãos, em células e por fim te ensinam apenas a doença. Daí te repassam técnicas e formas de cuidado. Te dizem que quanto mais você souber de um pedaço melhor será para aquele humano que você cuida e mais prestígio você poderá ter. Até ousam dizer: não é pra se envolver, não crie vínculo, não se apegue, você já tem que apresentar a postura de um profissional.

Xodó me ensinou que os olhares já são um vínculo estabelecido, que a escuta pode ser a melhor forma de saber onde está a doença, que o abraço é o melhor que poderei oferecer, que o sorriso é a melhor devolutiva e que o amor é o melhor cuidado.

Eu já sabia amar as pessoas, mas não sabia que se deveria usar o amor no cuidado em saúde. E já se tornou estranho pensar que existem pessoas que separam o amor do cuidar. Cuidar já é uma palavra tão amorosa né? Mas a gente que estuda 4, 5 ou 6 anos pedaços do ser humano, nos achamos no direito e ousamos separar. Somos pré-formatados para tratar de células, tecidos e órgãos, afinal se não tiver problema neles não há problema nenhum. Em que momento a gente vai cuidar de humanos? O PalhaSUS me permitiu cuidar desde o primeiro olhar. Não acredito que o PalhaSUS está fazendo de mim um “super fisioterapeuta”, ele só me mostrou que dentre tantos pedaços há um ser e que ele é humano.

Gratidão é a melhor palavra para dizer um pouco o que sinto hoje. Gratidão por ter sido cuidado para que Xodó viesse ao mundo e reorientasse minhas ações. Gratidão por cada vivência transformadora e contagiante; por toda troca de saberes, muito bem compartilhados; por todos os desafios; por todo amor e por vocês( PalhaSUS) existirem.

Gratidão ainda maior aos pais palhastícos e a todos meus irmãxs que ganhei ao longo desses 3 anos. Amo muito vocês, de verdade verdadeira. Quando penso no futuro da área da saúde, vocês são uma das minhas esperanças que teremos gente cuidado de gente com muita amorosidade por todos os cantos."

(Xodó. Vulgo: Felix Junior)